Tudo começou no interior do Paraná, onde em 1964, nasci como Mirian Cristina Camacho. A semente artística brotou aos 9 anos através da Dança na pequena cidade de Ibiporã.
Em 1976, meu pai resolveu conhecer Campo Grande, do estado que ainda não era do Sul . Se encantou e decidiu deixar a terra Natal com a família toda, para começar uma nova história.
Aí então, os meus galhos artísticos começaram a esverdear cada vez mais. Deixei o Cristina apenas na certidão de nascimento e segui como Mirian Camacho. A Dança continuou abrindo caminhos e aos 13 anos eu já era professora no Ballet Isadora Duncan.
Fiquei lá por lindos 11 anos. Depois abri a minha própria escola de dança.
Com isso veio a criação de roteiros, poesia, histórias infantis e a música. Os galhos verdes nunca pararam de florescer.
Atualmente sou professora de dança e coreógrafa numa escola Montessoriana. Onde além da dança, trabalho com a Oficina de Expressão Artística para adolescentes. Um trabalho que busca conectar o ser humano aos seus mais profundos sentimentos através de todas as formas de arte.
Meu desejo é ver a arte suavizando e transformando vidas… abrindo caminhos, despertando sentimentos… acolhendo, agregando. Só a arte é capaz de uma ciranda de igualdade. Eu acredito. Por isso vivo em poesia…
Somos todos uns e outros
Olha essa mulher que atravessa a rua com pressa. Percebe a aflição…
Escuta o não que sem fala ela grita.
Tomara que ela esqueça das horas, solte o cabelo e jogando o sapato pro alto deite na areia macia.
Olha a criança que inventa histórias sozinha e quieta. Percebe o olhar…
Sente a tristeza que sai das mãos.
Tomara que ela ganhe colo na história seguinte. Que ganhe cor e abraço quente, feito comida na mesa.
Olha o senhor esquecido no banco da praça.
Percebe a solidão…
Olha pro rosto que já não lembra.
Tomara que a luz seja forte, que o caminho seja amigo e o que já foi lhe dê abrigo pra acalmar o tempo.
Eita mundo sem jeito…
Aperta o nó, evita o laço. Acerta o passo, esquece o cansaço…
Vida deslizando na espera não percebe a voz que de longe implora.
Quem sabe agora…
Escuta…
Dá a mão pra mulher!
Protege o menino!
Acarinha o senhor e olha pelo espelho do teu carro…
Vê?
Somos todos eles!
Num momento ou outro somos uns e outros, vivendo a ciranda do tempo.
Dá uma volta na chave, abre teu mundo, e…
Ave…
Ave toda gente em asas de Maria. Cabe muito entre uma volta e outra.
Brinda em taça…
A vida, até quando não, é cheia de graça.



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