Caipira

Escrito por Paulo H. Tognini

Natural de Campo Grande MS Brasil, Médico, Pescador, Flamenguista, Virginiano e Caipira raiz!!

28 de março de 2022

Olá amigos!

Sempre uso o termo “caipira” para adjetivar minha pessoa, como vocês podem ter lido.

Para mim, este termo não tem uma conotação pejorativa como muitos podem pensar.

Pelo contrário, tem um significado superlativo, grandioso.

Para mim ser caipira é um estilo de vida, é viver a essência da cultura do local onde nasci e cresci. Significa viver os usos e costumes da terra onde me criei e assimilei com o tempo,  todos os sentimentos possíveis , o dialeto, os gostos, os cheiros, as paisagens, o clima etc. Estes fatos em si, geraram raízes profundas e simplesmente indivisíveis, indestrutíveis que naturalmente morrerão comigo.

Às vezes é difícil de explicar esses sentimentos mas, o cheiro do mato, o gosto da comida, o hábito do tereré, o pôr e o nascer do sol, as noites de lua cheia, a comida no fogão a lenha, o orvalho na relva ao amanhecer, a poeira das estradas, o cheiro dos currais, a lida com os animais, o clima, a conversa com os nativos, a tradicional pinga para enfrentar o banho na bica ,o canto do galo ao amanhecer, foram e são aquelas coisas da vida que não tem preço. Só valor.

Desde menino, sempre estive inserido neste ambiente. Sempre pescando ou na fazenda da família onde passei mais da metade de minha vida. Embora tenha trabalhado intensamente em minha profissão, nunca me desvencilhei destes laços mais fortes do que eu.

Em 1986 quando retornei de meus estudos no Rio De Janeiro, assumi a administração das fazendas da família até 2021 quando foram vendidas!

Neste período, fui muito disposto, muito ativo e dedicado. 

Desenvolvi com muito entusiasmo a pecuária de corte e leite, a criação de ovelhas e a piscicultura no município de Bandeirantes MS e posteriormente no município de Campo Grande somente a pecuária de corte. Nestas atividades, gerei trabalho e renda, produzi alimentos de qualidade, protegi o meio ambiente, preservei matas e mananciais, reformei pastos degradados, incorporei novas tecnologias..enfim, fiz o melhor que pude sempre.

Com certeza esta época foi uma das mais gratificantes de minha vida.

Neste rico período, com certeza consolidei minha digníssima identidade cultural.

Outro dia ,atendi no pronto socorro uma jovem mãe com seu filho de colo com uma diarreia intensa. Após o atendimento à criança, perguntei à mãe se ela estava dando leite de vaca para a criança ;quando a mesma respondeu prontamente que não. Só estava dando leite de caixinha!!!!

Num primeiro momento eu não me contive e comecei a rir…

Após, logo me desculpei e continuei as orientações ao seu filho naturalmente..

Não sei se ela entendeu.

Confesso que fiquei além de surpreso, perplexo com os sinais da urbanização acelerada dos tempos atuais, com a inocente ignorância da jovem, com a insuficiente escolaridade da mesma  e sobretudo com a evidente e triste diluição de minha cultura.

Embora este atendimento se deu em uma unidade do SUS, onde os pacientes estão nas camadas mais carentes e mais humildes de nossa sociedade, não pude deixar de notar que a jovem mãe portava um inevitável aparelho celular!

Sinal dos tempos!!

Abraço a todos!!

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